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O papel do educador diante da inversão de valores

Luis Antonio Namura Poblacion (*)


Educar tem sido missão cada vez mais difícil. Não só pelos muitos recursos digitais e tecnológicos que parecem ‘roubar’ a infância das crianças, como pelos comportamentos expostos na mídia e em redes sociais que as hipnotizam com conteúdos que estimulam o consumismo, o desperdício e as ‘trolagens’ entre as pessoas. O mundo virtual vem progressivamente confundindo seus limites com os do mundo real no cotidiano de crianças e adolescentes. O celular e a internet têm mudado a forma de se relacionar com a família, amigos e professores. Como convencer uma criança de 6 anos, por exemplo, de que determinado comportamento é errado quando ela assiste na internet adultos fazendo a mesma coisa?

Essa inversão de valores chega às escolas, interfere no comportamento em sala de aula e, consequentemente, na relação com colegas e educadores. O professor vem enfrentando dificuldades maiores para impor disciplina e respeito e começa a lidar cotidianamente com alunos agressivos e debochados. Diante disso, como ele deve agir?

A questão vem tomando dimensões assustadoras. A mídia e as redes sociais são parte do problema, que pode ter origem também na falta de referências morais e de afeto. Por isso, a forma como o educador lida com os conflitos tem papel crucial na formação emocional da criança. Não é assumindo uma postura agressiva que o professor exercerá a sua autoridade. Não mais.

O que deve ser buscado gradualmente é o fortalecimento da confiança e do respeito por meio do diálogo. É difícil? Muito! No entanto, é preciso se aproximar do aluno, dando a ele a possibilidade de expressar seus sentimentos. Não ignore o que a criança sente ou o que desencadeou determinada atitude. Os debates em grupo também têm seu valor. Promover brincadeiras criativas que permitam a reflexão em torno de situações e comportamentos ajudam a desenvolver a consciência do coletivo, além de promover o envolvimento das crianças na construção de soluções.

A relação escola-família também é de suma importância. De nada adianta a escola reunir esforços para ‘civilizar’ uma criança se a família não trilhar o mesmo caminho. Por isso, todos os esforços devem ser feitos para aproximar a escola dos pais, para que se construa assim a inteligência emocional tão necessária ao convívio em sociedade.

*Luis Antonio Namura Poblacion é Presidente da Planneta (www.planneta.com.br), atuando na área da educação há mais de 35 anos.





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10 comentários:

  1. Concordo com você, realmente depois da tecnologia as coisas tem se complicado mais na hora de educar as crianças, principalmente para os pais que não querem que as crianças entre nesse mundo da tecnologia cedo, até porque as vezes proibimos em casa, e na própria escola, eles liberam, o que acontece muito as vezes.

    Blog Amanda Passos

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  2. Me incomodo bastante com crianças com tão pouca idade utilizando a tecnologia, cordo muito com vc...

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  3. Excelente texto, realmente hoje em dia está muito difícil de lidar com os jovens e até mesmo as crianças!
    Não gosto de crianças tão pequenas já tendo acesso a tecnologia, mesmo que seja para deixá-los distraídos. Há outras maneiras de se distrair uma criança, mas muitos pais veêm na tecnologia essa distração.
    Assim estão formando seres sem respeito ao próximo, e quem sofre em sala de aula é sempre o professor.

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  4. O avanço da tecnologia trouxe muitas coisas boa, mas ao mesmo tempo foi prejudicial em alguns aspectos. É preciso impor limites ao uso de celulares, tablets, computadores para crianças, para que não interfiram negativamente no aprendizado escolar.

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  5. Ótimo texto! Realmente educar não é missão nada fácil e a tecnologia que tinha tudo para ser uma aliada acabou se tornando uma inimiga. Infelizmente não vivemos em uma sociedade evoluída o suficiente para usar nossos avanças como algo que auxilie na educação, seguimos apenas com um modelo educacinal arcaico que não compete com a a mentalidade das crianças de hoje em dia.

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  6. Olá, Gostei muito do texto, nos dias de hoje a cabeça jovem mudou muito, valores, gostos e tradições, a tecnologia ajudou para que isso acontecesse, por isso realmente está dificil.
    Beijos.

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  7. bom dia, como vai? Eu gostei bastante do seu tema, muito bem elaborado,
    eu achei super interessante esse tema pois hoje em dia as pessoas que vivem na sosiedade sao bem evoluidas, e de certa forma ajudar no aprendizado

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  8. Oi Verônica!!
    Que publicação incrível. Eu tenho uma filha de 3 anos e que eu estou na luta para educar. Eu confesso que sou bem rígida com a utilização de celulares e tablets, mas tem sempre alguém que dá e me deixa muito irritada. Eu não vou ser hipócrita e dizer que ela não tem acesso a tecnologia, pois ela assiste TV. Só que eu controlo o que ela assiste e por quanto tempo. Acredito que ela precisa balancear o tempo de TV com as outras atividades. Por enquanto vem dando certo rs
    Bjs
    https://almde50tons.wordpress.com/

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  9. Gostei muito do tema do post e de como elaborou seu texto, ficou bem feito e traz reflexão para muitas pessoas, já que infelizmente educar tem sido uma tarefa cada vez mais difícil.

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  10. Que lindezaaa! Amei esse incentivo... Ah! Preciso destacar este trechinho aqui: "De nada adianta a escola reunir esforços para ‘civilizar’ uma criança se a família não trilhar o mesmo caminho. Por isso, todos os esforços devem ser feitos para aproximar a escola dos pais, para que se construa assim a inteligência emocional tão necessária ao convívio em sociedade." Acho que nem preciso comentar mais nada... Seu post é muito completo, amei! <3

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